Hoje, conversando com uma aluna sobre o tema, me veio à mente um dos versos de "Perfeição", da Legião Urbana, que diz: "(...)vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado". Fiquei lembrando que aos meus 13 anos, quando conheci a música, concordava plenamente com Renato Russo sobre o tema e achava ridículo quem comemorasse cada descanso enquanto muitos sequer têm a chance de descansar.
Mas, como o mundo gira, hoje sou eu quem está do outro lado e de certa forma comemoro sim. Tenho vivido (acredito que não só eu) de forma tão corrida e desordenada que quando aparece alguma folga, comemoro como se fosse a última de minha vida. Se é certo ou errado, talvez o tempo dirá ["(...) only time will tell me if I am right or I am wrong"], como Lennon/McCartney cantavam (estou musical hoje).
Mas não sei se nós amadurecemos e deixamos de lado a forma de analisar os fatos que tínhamos antigamente, ou se a vida perde a cor depois de um certo tempo e passamos a fazer tudo de forma mecânica e automática. O fato é que me juntei àqueles que eu detestava e muitas das vezes não me conformo com isso.
Se por um lado eu reflito sobre este tema (enquanto relembro o primeiro post, de tempo ou a falta do mesmo), por outro me recordo de um dos outros versos da mesma canção do famoso trio de Brasilia, seguido por um trecho de "Ouro de Tolo", de Raul Seixas, com os quais encerro esse post e espero algum comentário:
"(...) Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou essa canção"
(Legião Urbana - "Perfeição")
"(...) Eu devia estar contente por ter conseguido tudo o que eu quis
Mas confesso abestalhado que eu estou decepcionado
E agora me pergunto: e daí?
Eu tenho uma porção de coisas grandes pra conquistar e eu não posso ficar aí parado"
(Raul Seixas - "Ouro de Tolo")
